quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A Gota Suspensa - 1983

Formada em 1978, como uma banda de rock progressivo, "A Gota" possuiu vários músicos e cantores em sua primeira formação. Entre eles Freddy Haiat, Kuki Stolarsky, Marcinha Montserrath, Mike Reuben. O som tocado era um progressivo/experimental bastante inspirado por bandas como Pink Floyd, King Crimson, Novos Baianos, e pelo movimento tropicalista, entre outros. Aos poucos, o som da Gota foi conquistando um público juvenil cada vez mais numeroso, que os seguiam em suas apresentações, assim como em festivais de música em São Paulo. Passaram a se apresentar em casas noturnas da época, como Clash e Carbono 14. Em 1983, gravam uma fita-demo para se candidatarem ao festival interno do Colégio Objetivo. Esse material serviu de interesse a um produtor musical, que conduziu a banda para uma gravadora independente, a "Underground Discos e Artes", que acabou por registrar o primeiro e único disco da banda. Esta gravação contou com a participação de Tavinho Fialho no contrabaixo e Marcel Zimberg no sax\flauta. Daqui se destacam algumas boas canções, como "Convite ao amor" e "Apocalipse", entre outras. O álbum não foi um sucesso comercial, mas foi bem aceito pela crítica, adquirindo status cult, chamando a atenção de várias gravadoras, entre elas a CBS Records (atual Sony). O conjunto consegue um contrato para três discos. O som da banda passava por uma mudança com as novas influências de Blondie, The B-52's, Devo, e Kraftwerk. Surgia então um estilo musical mais "acessível", uma sonoridade mais pop e menos experimental. Em 1984, nesta nova fase, "A Gota Suspensa" troca seu nome para "Metrô" (nessa época a formação se estabilizou com os seguintes membros: a modelo Virginie Boutaud (vocais), Alec Haiat (guitarra), Yann Laouenan (teclados), Xavier Leblanc (baixo) e Dany Roland (bateria)). A partir daí, o grupo grava seu primeiro disco em 1985, "Olhar", sendo sucesso de público e venda, alcançando disco de ouro e emplacando vários hits como, "Beat Acelerado", "Sândalo de Dândi", "Tudo pode mudar", "Johnny Love" e "Ti ti ti". 

Encerrava-se um ciclo criativo com o fim da "A gota", mas surgia um novo movimento musical, a new-wave brasileira, encabeçada por outros grupos como RPM, Zero, Titãs, Nau etc...porém, como o assunto é longo, deixaremos ele para uma outra postagem.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Capital Inicial - Rua 47

Grupo brasiliense e um dos maiores nomes do Rock BR da década de 80. Depois da saída do vocalista Dinho Ouro Preto em 1992 (ele tentaria uma má-sucedida carreira solo), a banda recrutou o cantor santista Murilo Lima - ex banda Rúcula (o Capital chegou a por um anúncio na rádio 89FM de São Paulo a procura de um vocalista). Com ele, gravaram dois álbuns, "Rua 47" de 1995, e "Ao Vivo" em 1996, até Dinho retornar no fim de 1997. Neste disco, a banda optou por um som mais pesado com guitarras distorcidas, arranjos e letras mais maduras. Com o Murilo, o Capital virou outra banda praticamente. No disco, destacam-se as baladas "Mil vezes" e "Separação", bem como a canção-título "Rua 47", um hard&heavy de primeira linha. A banda lançou também seu próprio selo durante esse período. As influências  metal/grunge/punk ainda renderam boas canções como "A Lei da Metralhadora" e a melhor música do álbum, "Desdêmona". Apesar da qualidade, infelizmente o disco não deslanchou, mas deu a banda uma sobrevida de shows. Aproveitando esse período, o grupo lança uma versão ao vivo desse álbum em 96, mas que também passa desapercebido. Ainda assim, podemos dizer que o disco é bem melhor que o projeto de Dinho, o tal de "Grupo Vertigo" e seu disco solo de 1995. Depois dessa época em baixa, em 1998 o Capital retoma a formação original e solta um excelente e inspirado álbum de inéditas, "Atrás dos olhos" e logo após investe no formato acústico que os coloca no topo novamente. Praticamente nada sobrou dessa fase, pois nos dias de hoje eles não tocam mais essas faixas em seus shows, mas vale sempre dar uma atenção a esse período fértil do Capital Inicial.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Romeo Void - Warm, in your coat

Banda pós-punk, oriunda de San Francisco (EUA), criada em 1979. Era formada pelo saxofonista Benjamin Bossi, a vocalista Debora Iyall, o guitarrista Peter Woods e o baixista Frank Zincavage. No grupo, passaram vários bateristas, começando com Jay Derrah e terminando com Aaron Smith. Possuiam um som único, e mantinham-se firme na convicção de seu próprio estilo, mesmo com uma gravadora querendo mudá-los constantemente. Debora era uma "anti-star" total, descendente de nativos americanos e sempre um "pouco" acima do peso. Sua voz e letras eram sempre sugestivas e hipnóticas. A banda teve três lançamentos, "Its a condition", "Benefector", "Instincts", e mais um EP ("Never say never") e uma coletânea ("Warm, in your coat"). Eles são conhecidos pelas músicas "Never Say Never" e "A Girl in Trouble"; esta última tornou-se um hit que entrou no "40 pop Top", dizia-se na época que esta canção era uma resposta feminina para o hit "Billy Jean", de Michael Jackson. A banda foi iniciada no Instituto de Arte de San Francisco por Debora Iyall e Zincavage. Eles lançaram um single pela 415 records, antes de gravarem seu álbum de estréia, que foi considerado uma "obra-prima do pós-punk americano". O sucesso de seu segundo lançamento, um EP de 4 músicas, "Never Say Never", resultou em um contrato de distribuição com a Columbia Records. A banda continuou tocando em turnês, até que se separaram em 1985. Os membros se reuniram brevemente ao longo dos anos. Definitivamente, uma banda norte-americana muito subestimada, e que pagou um preço caro, por fugir dos padrões pré-estabelecidos de imagens e sons comerciais. Debora Iyall hoje é professora universitária, mas continua a seguir a música como um projeto paralelo, além de ser reconhecida como letrista hábil, explorando temas como a sexualidade, alienação e exploração midiática. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Battlezone - Children of Madness

Projeto\banda do lendário ex vocalista do Iron Maiden, Paul Dianno. Depois de sair do Iron, Dianno fez parte de vários outros conjuntos, entre eles o Battlezone, formado por ele, Graham Bath e John Wiggins nas guitarras, Steve Hopgood na bateria e Pete West no baixo. Depois de seu disco auto-intitulado "Di'anno" (1984), que trazia um quase AOR/Glam, Children of Madness de 1987, mostrava um hard&heavy mais pesado, mas típico do período. Com esse play, ele emplacou duas músicas, "I DON'T WANNA KNOW", single do álbum e com clipe bem característico, e a direta e seca "RIP IT UP". O disco apresentava também uma faixa intitulada "METAL TEARS", que era sobre um cara incapaz de ter um relacionamento estável, por isso constrói um robô feminino, com quem se apaixona. A idéia original veio de um livro intitulado "Clone". Porém, a faixa recebeu críticas da mídia, por ser muito semelhante a letra "London", do disco "Rage for order" do Queensrÿche. O guitarrista Graham Bath, que havia sido recrutado para a segunda guitarra, não estava entusiasmado com a turnê, então  foi demitido da banda. Peter West, o baixista, recomendou o músico Alf Batz, que se juntou a tempo para ir a Nova York e aparecer no clipe de " I Don't Wanna Know ". Não era nenhuma novidade que drogas e brigas pressionavam a banda. Pouco antes de terminar a turnê, a maioria dos membros haviam deixado Di'Anno, que precisou de um grupo de apoio, para completar a turnê e cumprir o seu contrato. Posteriormente, os guitarristas  Randy Scott e Dave Harman, e o baixista Eddie Davidson entraram para o Battlezone. No entanto, a banda já estava muito desgastada e se desfez tempo depois. Após a dissolução da Battlezone, Di'Anno formou o Killers, projeto de power metal que lançou quatro álbuns. Não se deve ouvir Battlezone esperando Killers ou Iron Maiden, pois Paul parece aqui, estar interessado em um material mais melódico, na linha de grupos como Dokken e WASP. Mas, o som é honesto e bem executado, no entanto. Vale a pena uma audição.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Jermaine Jackson - Dynamite


Todo mundo que conhece música, já ouviu falar de Michael Jackson, pelo menos uma vez na vida. Um ícone, que dispensa apresentações. O que pouca gente sabe ou lembra, é que na década de 80, ele tinha um simpático irmão, que tentou seguir seus passos dentro desse mesmo universo musical. Jermaine Jackson é o terceiro irmão mais velho, e ex-integrante do Jackson 5. É também contrabaixista, sendo dele as linhas de baixo que davam suporte ao conjunto. Assim como Michael, também saiu em carreira solo, tendo inúmeros singles entre os top 20 da época. Em 1984, ele grava seu mais-bem-sucedido trabalho, o disco "Dynamite", sucesso nos Estados Unidos, e que atingiu a marca # 15 na Billboard Hot 100. O disco trazia o som pop e dançante, que dominou todo aquele período, além de algumas participações especiais, como da cantora Whitney Houston e seus irmãos dos Jacksons. O maior destaque do álbum, foi a canção "When the rains begins to fall", um dueto com a cantora e musa teen Pia Zadora, e que foi originalmente gravada para a trilha sonora do filme "Voyage of the rock aliens". O clipe da canção pode ser considerado um épico daqueles tempos (e um dos mais ridículos também é claro, confira no youtube), tendo os mesmos ingredientes dos videos do irmão Michael, ou seja, bela coreografia, um enredo bem trabalhado e aquele figurino colorido e tosco daqueles tempos. É claro que sua gravadora queria faturar em cima de Jermaine, assim como fazia com Michael, mas Jermaine não era Michael, e muito do que foi feito por Jermaine, erroneamente foi visto como um quase plágio em cima de seu irmão mais famoso. O restante do disco é até razoável,  trazendo músicas como "Sweetest sweetest" e "Do what you do", que chegaram a liderar as paradas de numerosos territórios europeus, como Bélgica, Alemanha e França. Outro ponto alto é "Take good care of my heart", um dueto com a então desconhecida Whitney Houston,  e que também mais tarde apareceu no álbum de estréia da cantora, lançado em 1985, pela Arista Records. Infelizmente, com o passar dos anos, Jermaine foi desaparecendo da mídia, chegando até a trabalhar como cineasta, produzindo nos anos 90, a premiada série “The Jacksons: An American Dream”, que conta a história da família. Hoje ele se encontra bem afastado dos holofotes, principalmente após se converter ao islamismo e mudar o nome para Muhammad Abdul-Aziz. Vale a pena conferir esse grande clássico.

sábado, 2 de julho de 2016

PRETTY BOY FLOYD - Leather Boyz with electric Toyz

Quarteto glam-metal formado nos Estado Unidos. A banda escolheu o nome "Pretty Boy Floyd" para descrevê-los: quatro adolescentes foras-da-lei, armados com licks de guitarra, maquiagens e que partiram para conquistar o mundo. O grupo assinou com a gravadora MCA e lançou seu primeiro disco "Leather Boyz..." em 1989. O álbum produzido por Howard Benson, teve um impacto significativo, sendo citado como um dos discos mais "quentes" do ano, por revistas como Metal Edge e Spin. Deste álbum, emplacaram dois hits, "I Wanna Be With You" e "Rock and Roll", exibidos exaustivamente pela MTV americana. A banda excursionou o mundo e foram reconhecidos como os reis da Sunset Strip, quebrando recordes de público, que antes eram de Van Halen e Warrant. Seu álbum chegou a marca de 750.000 cópias vendidas em todo continente. Com a chegada do grunge e do rock alternativo, a banda simplesmente desapareceu do mapa, vindo a lançar um segundo play somente em 1998, "A Tale of Sex, Designer Drugs, and the Death of Rock N Roll", que acabou passando desapercebido pela mídia. Recentemente, uma nova geração de fãs jovens, que não estavam sequer na escola quando a banda surgiu pela primeira vez, começou a redescobrir sua música, demonstrando que não importa o que os críticos pensam, ou que as tendências ditem regras, o som do Pretty Boy Floy sempre será festivo, atemporal e com muita atitude Rock&Roll.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

YAHOO - 1988

Em 1988, o guitarrista virtuoso Robertinho do Recife, decide montar um grupo pop-rock, com influências de Hard Rock e AOR, após desmanchar o METALMANIA, sua antiga banda de Heavy Metal. Para isto, cogitou a hipótese de ter a cantora Rosana (do hit "Como uma deusa") nos vocais, algo que durou pouco tempo, sendo substituída pelo cantor Zé Henrique, cunhado da empresária Marlene Mattos. O primeiro disco veio com “Mordida de amor”, versão de "Love bites", do grupo Inglês Def Leppard. As versões em português para canções do Hard Rock marcariam toda a trajetória do Yahoo. O sucesso foi imediato e o grupo “estoura” em todo o Brasil. O conjunto ainda tinha na formação Marcelo Azevedo (teclado, guitarra e vocal) e Marcelão (bateria e vocal). Outras canções que se destacaram neste disco foram "Pra Você Voltar" e "Delicious", esta última tema da novela "O Salvador da Pátria".
No ano seguinte, com álbum novo, "Oração da Vitória", emplacam a canção "Anjo" (versão de "Angel" do Aerosmith), que foi tema da novela "O Sexo dos Anjos". Agora, a banda contava com um novo membro, Val Martins, que mais tarde, viria a se tornar um bem-sucedido cantor gospel.
Em 1990, Robertinho decide abandonar a banda e tocar sua carreira solo. O Yahoo lança o álbum "Yahoo III". Aqui, o destaque são as canções "Sonho Encantado" (tema da novela "Barriga de Aluguel"), "Veneno" e "Somos a Luz da Manhã", as duas últimas temas do filme "Sonho de Verão", no qual os músicos faziam parte do elenco, ao lado da turma do programa XUXA.
 Em 1992, sai o álbum "Pára-Raio". Novamente com cinco integrantes (desta vez, quem entrou foi o guitarrista Serginho Knust, que já tocava com a banda como músico contratado desde 1989), a banda grava as canções "Pára-Raio" (versão de "Hide You Heart", do Kiss), "Sozinho" (versão de "Reflections of my life", do The Marmalade), e "Como o Vento" (versão de "Wind of Change", da banda Scorpions). Destaque também para a romântica "Paixão Esquecida", tema da novela "Deus Nos Acuda".
Em 1994, lançam "Caminhos de Sol", tema da novela "A Viagem", que emplacou em todas as rádios brasileiras. O grupo continua com seus shows por todo país.
Em 1996, lançam o álbum "Arquivo", com pouca divulgação comercial, e que acabou decretando o fim do grupo. Seus integrantes passam a trabalhar em seu estúdio de gravação, o Yahoo Studio, um dos mais requisitados estúdios de gravação e produção musical do Brasil.
Após dez anos, em 2006 o Yahoo volta, lançando o álbum "Versões", que traz mais sucessos do hard rock em versões em português. O disco conta com músicas de bandas como Journey, Kiss e Poison.
Atualmente a banda continua em atividade, com nova formação e excursionando por todo Brasil. Já Robertinho de Recife, reativou o METALMANIA, seu antigo conjunto, para algumas apresentações comemorativas.