sexta-feira, 30 de julho de 2010

Hay Kay – 1992

Banda liderada pelo vocalista Vinny. Em 1992, lança o primeiro e único registro. O som era uma mistura de Hard Rock com pop de FM. Reza a lenda, que a gravadora RCA/BMG mandou prensar apenas 500 cópias, temendo o fracasso do grupo. Não deu outra, o disco passou desapercebido completamente, apesar de cônter algumas boas faixas, como “Vôo veloz”. Além de Vinny, a banda tinha Marcelo Sussekind (Guitarras), Roberto Lly (Baixo) ex-integrantes do Herva Doce, Marco Strada (Bateria) e Cláudio Maza (Teclados). Em 1995, Vinny assina contrato com a Indie Records, e coloca um ponto final na história do Hay Kay.

JOHNNY THUNDERS – Um junkie punk!

Johnny Thunders, cujo nome real era John Anthony Genzale Jr, nasceu em 15 de julho de 1952, em Nova Iorque. Mas ficou conhecido como membro do New York Dolls, um bando de drag-queens, que influenciaram todo um movimento, também conhecido como punk. Formada em 1971, por garotos de colégio, a New York Dolls iniciou um novo estilo, o glam rock. Praticando um rock'n'roll furioso e cativante, lançam seu primeiro álbum, “New York Dolls” (1973). A estética trash era descendente dos Rolling Stones/Velvet Underground, e o ritmo frenético vinha dos rockers dos anos 50 e bandas de surf-music dos anos 60. Em 74 sai ”Too much Too soon”, que também não agrada comercialmente, Thunders resolve então sair da banda.Em 77, com Jerry Nolan na bateria, Richard Hell no baixo (substituído por Billy Rath) e Walter Lure na guitarra, forma o HEARTBREAKERS. O álbum “LAMF” (Track, 1977), demonstrou toda força e atitude vinda do New York Dolls, aliada ao lado selvagem e impactante de seus integrantes. A grandeza deste disco, é o testemunho direto do espírito que animou os clubes de Nova York nas vésperas da era punk. Aqueles riffs e refrões, arrancados em uma velocidade louca e ruidosa, anunciavam uma profunda revolução na maneira de conceber rock . Eles acabaram se mudando para Inglaterra, obtêndo fama na cena inglesa do punk rock. Infelizmente, depois de “So alone” (78), os Heartbreakers não gravariam nenhum material inédito. Posteriormente, sua discografia foi preenchida por discos gravados ao vivo, com material velho. O E.P. “In Cold Blood” (New Rose, 1983) contém dois novos clássicos, “Diary of a lover” e “In Cold Blood”. Depois vêm “New Too Much Junkie Business” (ROIR, 1983), o E.P. “Diary of a lover” (PVC Lover, 1984) e “Que Sera Sera” (Selva, 1985). “Hurt Me” (New Rose, 1984) é um álbum acústico. “Copy Cats” (Restless, 1988) é uma compilação de covers , Gang War (Zodiac, 1990) é um álbum gravado com o guitarrista do MC5, Wayne Kramer. Estes são registros onde Thunders demonstra toda a sua paixão pelos Rolling Stones. Finalmente, temos “Born Too Loose” (Jungle, 1999), que reúne os seus clássicos e encerra sua discografia. Bom, podemos finalizar dizendo que, Johnny Thunders foi uma das figuras mais importantes e controversas da década de 70, além de ser um elo entre o rock decadente do Velvet Underground, o som ultrajante do Stooges, e o glam-rock de Marc Bolan. Thunders representou o caráter do solitário, desesperado e perdedor, tão típicos da cultura americana, e que serviu como modelo para a década seguinte. Ele morreu em abril de 1991, aos 38 anos, de overdose de Heroína e metadona, em um hotel de Nova Orleans. Já Nolan, companheiro de HEARTBREAKERS, sofreu um derrame cerebral e faleceu em janeiro de 1992. (Rest in peace my friends...).

Damaged Corpse - False Reality, True Profit Demo 1989


Trasheira obscura e tosca da Bélgica.


XXX

Spartan Warriors – 1984


Banda inglesa, oriunda de Sunderland. Foi formada em 1980 e fez parte da grande cena nwobhm do Reino Unido. Não é uma das melhores, mas vale a pena uma audição despretensiosa. Banda: Dave Wilkinson – vocals, Neil Wilkinson - guitars (Waysted), Paul Swaddle – guitars, Tom Spencer – bass, Gordon Webster – drums.

TITÃS – “Quanto Tempo”. Parte 1

Para quem não sabe, os Titãs um dia já foram a maior banda brasileira, tanto na parte musical, quanto na questão da popularidade. Produziram obras primas como “Cabeça dinossauro” e “Titanomaquia”, entre outros. Apesar do retrospecto glorioso, a banda vive hoje de lembranças. Lembranças de um tempo bom, de um passado fértil e criativo, bem distante dos últimos dez anos atravessados. Criada no início da década de oitenta, em 1982 eles já causavam estranheza no público, apresentando um grande número de integrantes. Eram nove: Arnaldo Antunes (vocal), Paulo Miklos (vocal, sax, guitarra), Marcelo Frommer (guitarra), Sérgio Britto (vocal, teclado), Toni Belloto (guitarra), Branco Mello (vocal), Nando Reis (baixo, vocal), André Jung (bateria) e Ciro Pessoa (vocal). Essa formação adotou o nome “Titãs do Iê-Iê” e a proposta inicial foi fazer apenas uma releitura da Jovem Guarda. Dois anos depois, com a saída de Ciro Pessoa em 84, assinaram com a WEA e lançaram o primeiro disco, auto-intitulado. Sem estilo definido ainda, o único sucesso foi “Sonífera Ilha”, que chegava a ser cantada de 3 a 4 vezes durante os shows. Segundo Sérgio Britto, “a falta de um estilo próprio, de um direcionamento musical definido era proposital, uma ideologia da banda”. Na verdade era tudo muito brega e sem ousadia musical. Nesse disco, também encontramos as músicas “Toda cor” e a complexa “Balada para John e Yoko”. Quanto ao resto das canções, tudo se mostra dispensável por aqui. Em 85 eles gravam o álbum “Televisão”, produzido por Lulu Santos. O grupo começou o ano com um novo baterista, Charles Gavin. Com a nova formação, os Titãs emplacam os hits "Insensível" e "Televisão". Como aconteceu no primeiro disco, as vendas foram modestas e ainda predominava uma variação no estilo do grupo, onde canções mais pesadas dividiam espaço com registros mais pops. O disco não é ruim, e nota-se um certo amadurecimento por parte dos integrantes. A canção “Massacre” já era um prelúdio para o rock pesado que se ouviria nos próximos discos. No mesmo ano, a banda ficaria marcada pela prisão de Arnaldo Antunes e Tony Belloto por porte de drogas. Foram 26 dias de cárcere, onde Arnaldo relata momentos de angústia e desespero por parte de ambos. Em 1986 gravam o majestoso “Cabeça dinossauro”. Com esse álbum, os Titãs finalmente encontraram uma fórmula e uma maneira própria de se fazer rock no país. Apesar da temática das músicas ser uma cópia barata da banda feminina “Mercenárias”, tudo aquilo produzido no álbum se tornou único e o disco foi eleito um dos mais importantes da história do Rock Brasil. No mesmo ano onde os Paralamas do Sucesso alcançavam estrondoso sucesso com "Selvagem?", a Legião Urbana com "Dois", e o RPM com "Rádio Pirata", os Titãs precisavam acompanhar a evolução sonora daquele período. Dessa forma, resolvem convocar o produtor Liminha, responsável pelos principais álbuns da década de 80, e que havia sido criticado através da imprensa por alguns integrantes da banda paulista. Em entrevista para a Folha de S.Paulo, em 2006, Sérgio Britto reconheceu o trabalho do produtor. "O Liminha foi o responsável pela realização do nosso maior sonho: gravar com qualidade, liberdade e em altíssimo astral", disse. Um outro fator contribuinte para o sucesso foi o ataque as instituições como a igreja, a família, o Estado e, principalmente, a polícia ("Polícia para quem precisa / Polícia para quem precisa de polícia"). Com certeza, um clássico indiscutível e imprescindível de nosso acervo. No ano de 1987 sai “Jesus não tem dentes no país dos banguelas” e mais uma vez Liminha assume a produção. O registro é praticamente um sucessor sonoro do “Cabeça”, dessa vez misturando peso com inovações eletrônicas. De um lado do disco tínhamos "Lugar Nenhum", "Desordem" e "Nome aos Bois". Do outro, mais inovação: o sampler, uma novidade naqueles tempos, que proporcionou um tom eletrônico a "Todo Mundo Quer Amor", "Comida" (composição de protesto que, em vez de pedir comida, pedia arte e cultura) e "Corações e Mentes". Corajosamente, a banda decidir fazer o show de lançamento do novo álbum em pleno Hollywood Rock de 1988. A apresentação dos Titãs foi eleita pela crítica especializada a melhor do festival, superando Simple Minds, UB40, Pretender, Simply Red e outros grupos internacionais. No mesmo ano, participam do Festival de Montreux, na Suíça. Desse show resultaria o disco ao vivo "Go back", lançado em 1988, que vendeu mais de 320 mil cópias, no qual o grupo incluiu a faixa-título "Go back", música de Sérgio Britto sobre poema de Torquato Neto - poeta ligado ao Tropicalismo que se suicidou em 1972. Ainda deste disco regravariam várias faixas que foram sucessos anteriores: "Polícia", "Não vou me adaptar", "Jesus não tem dentes no país dos banguelas", "Nome aos bois" e "Marvin". Em 89 sai “Õ Blésq Blom”, obtendo boa repercussão dentro da crítica e aceitação por parte do público. Bem mais eletrônico, o disco foi eleito "o vinil mais bem produzido que este país já viu", pela revista Bizz. Até o fim de 1990, alcançou a marca de 220 mil cópias, no rastro de canções como "Flores", "O Pulso" e "Miséria". Vale ressaltar também a participação da dupla de repentes pernambucanos Mauro (ex-estivador e auto-intitulado "O Rei do Rock") e sua esposa Quitéria, que cantavam com um poliglotismo curioso, misturando palavras em inglês, italiano, grego, russo e japonês, na introdução e na vinheta final do álbum. A música "Medo" foi a primeira faixa a ser lançada em CD-single no Brasil - ainda assim, o produto foi destinado somente às rádios. Dessa forma os Titãs encerravam a década de maneira honrosa...(continua...).

TITÃS – “Quanto Tempo”. Parte 2

O começo da década de 90 não se mostrava muito animador para as bandas nacionais, pois as gravadoras haviam decidido cortar boa parte dos investimentos em novos artistas. O surgimento da MTV no país pouco ajudava, pois na época, os vídeos estrangeiros possuíam qualidades técnicas infinitamente superiores aos nacionais. Em meio ao transe do novo cenário internacional, onde explodia uma nova onda chamada “Grunge”, os Titãs gravam o disco “Tudo ao Mesmo Tempo Agora”, sexto álbum de estúdio, lançado em 1991. Do som eletrônico para o rock “sujo”, assim podemos chamar a nova empreitada do grupo. “Tudo ao Mesmo Tempo” foi um flerte do som nacional com a sonoridade do movimento de Seattle que estava em ascensão no momento. O disco é o único trabalho da banda assinado pelos próprios integrantes, sem a parceria do produtor Liminha (o "nono titã"). Os créditos das quinze faixas também foram divididos entre os músicos. O álbum traz clássicos como “Filantrópico”, “Flat-Cemitério-Apartamento” e a escatológica "Isso para Mim é Perfume", na voz de Nando Reis. O disco não conseguiu chegar à marca das 150 mil cópias vendidas e ainda sofreu severas críticas. O teor das letras recheadas de palavrões foram culpadas por boa parte do fracasso. Apesar dos contratempos, os shows da banda continuavam em alta, mas, em dezembro de 1992, durante os ensaios, Arnaldo Antunes resolve se desligar do grupo, demonstrando pouca afinidade com aquele novo material e querendo apenas dedicar-se a sua carreira solo. Encerrava-se ali, uma longa e frutífera vida útil na banda, onde também morria parte da identidade do conjunto. Todo o massacre crítico sofrido em “Tudo ao Mesmo Tempo Agora”, foi retribuído com um disco ainda mais agressivo. A estratégia usada para a produção e boa mixagem, foi a “importação” de Jack Endino, conhecido membro atuante da cena de Seattle e produtor minimalista da estréia do Nirvana, Bleach. Assim, nascia “Titanomaquia”, gravado em 1993. As primeiras cópias deste disco vieram em sacos plásticos pretos, com a abertura colada, através de adesivos, com o nome do disco impresso neles. Isso causou certa estranheza nos consumidores, que não sabiam muito bem o que vinha pela frente. O disco já abre com “Será que é disso que eu necessito?”, uma bela resposta aos críticos. “Nem sempre se pode ser Deus” mantêm a mesma idéia do começo, depois vem “Disneylândia”, onde não há refrão, provavelmente inspirada em alguma música da banda Mercenárias. Em “Hereditáro”, temos Nando Reis totalmente deslocado por aqui, inclusive é a sua única música cantada. “Estados alterados da mente” fala por si só. Sérgio Britto arregaça em “Agonizando”, uma das mais fodas do disco, “De olhos fechados” é pegada, com pouca letra. “Fazer o que” tem uma lado mais heavy, e a “Verdadeira Mary Poppins” é um quase um hino á loucura. “Tempo pra gastar” questiona o quanto tempo temos disponível para fazer o necessário, ou desperdiçá-lo. “Dissertação do papa sobre o crime seguida de orgia”, tem letra complexa e arranjos legais. O disco acaba com a foda “Taxidermia”, que teve até clipe rodado na MTV. Com certeza, é um dos maiores discos da história do rock nacional, genuinamente pesado e audacioso. Já em férias da turnê, os integrantes resolvem investir em projetos paralelos. Toni Belloto lança o livro "Bellini e a Esfinge", Nando Reis grava o razoável disco "12 de Janeiro", Paulo Miklos também lança um trabalho solo mediano, Charles Gavin trabalha com novas bandas e junto com Nando Reis produz o álbum da cantora Vange Leonel. Branco Mello e Sérgio Brito montam o Kleiderman, um projeto de punk rock básico. Mas, é junto com a WEA, que fazem uma das maiores contribuições para a cena daquele período, o selo Banguela Records, que revelou várias bandas em início de carreira ou desconhecidas, entre elas, Raimundos, Mundo Livre S/A, Maskavo Roots , !Pravda etc. Em 1995 a banda encerra as férias e grava o álbum "Domingo". Também produzido por Jack Endino. A sonoridade veio mais pop do que nos dois trabalhos anteriores, mas, ainda possuía bons momentos, como na faixa-título "Eu Não Agüento", da Banda Tiroteio, primeira canção gravada pelos Titãs que não foi composta por um dos músicos do grupo. A canção “Domingo” também soava agradável, com sua ironia típica. Outros momentos bons são: “Um copo de Pinga”, “O caroço da cabeça” e “Brasileiro”, crítica bem humorada ao nosso estilo de ser. Contou ainda com participações especiais de Herbert Vianna, João Barone, Andreas Kisser e Igor Cavalera. "Domingo" foi disco de ouro e encerrava para sempre toda uma fase de fúria e criatividade dos Titãs. Na comemoração dos 15 anos de carreira, lançam "Acústico MTV", gravado em 1997, que vendeu mais de 1,7 milhão de cópias, algo totalmente impensado para um grupo como eles. Infelizmente, depois disso, toda a coragem e atitude titânica foi para o lixo, pois virou a marca registrada deles, gravarem acústicos ruins e baladinhas mela-cueca, tudo isso voltado para o seu próprio bem financeiro. Azar o nosso, que perdemos mais uma banda para o sistema, e sorte das gravadoras que faturaram alto com a falta de atitude e qualidade desse pessoal. Uma pena.

Sprinkler - Peerles

Formada em 1992, pelos irmãos Chris e Nate Slusarenko, Steven Birch e Eric Moore. Foi uma banda de curta duração, contratada pela Sub Pop records. Gravou apenas dois discos e depois se dissolveu. Após a separação, seus membros migraram para outros grupos “pós-grunge”, como o Everclear. Já os irmãos Slusarenko, abriram uma loja de discos em Portland. “Peerles” é o segundo álbum, gravado em 1993 e traz o bom e velho Rock de garagem dos anos 90.