O começo da década de 90 não se mostrava muito animador para as bandas nacionais, pois as gravadoras haviam decidido cortar boa parte dos investimentos em novos artistas. O surgimento da MTV no país pouco ajudava, pois na época, os vídeos estrangeiros possuíam qualidades técnicas infinitamente superiores aos nacionais. Em meio ao transe do novo cenário internacional, onde explodia uma nova onda chamada “Grunge”, os Titãs gravam o disco “Tudo ao Mesmo Tempo Agora”, sexto álbum de estúdio, lançado em 1991. Do som eletrônico para o rock “sujo”, assim podemos chamar a nova empreitada do grupo. “Tudo ao Mesmo Tempo” foi um flerte do som nacional com a sonoridade do movimento de Seattle que estava em ascensão no momento. O disco é o único trabalho da banda assinado pelos próprios integrantes, sem a parceria do produtor Liminha (o "nono titã"). Os créditos das quinze faixas também foram divididos entre os músicos. O álbum traz clássicos como “Filantrópico”, “Flat-Cemitério-Apartamento” e a escatológica "Isso para Mim é Perfume", na voz de Nando Reis. O disco não conseguiu chegar à marca das 150 mil cópias vendidas e ainda sofreu severas críticas. O teor das letras recheadas de palavrões foram culpadas por boa parte do fracasso. Apesar dos contratempos, os shows da banda continuavam em alta, mas, em dezembro de 1992, durante os ensaios, Arnaldo Antunes resolve se desligar do grupo, demonstrando pouca afinidade com aquele novo material e querendo apenas dedicar-se a sua carreira solo. Encerrava-se ali, uma longa e frutífera vida útil na banda, onde também morria parte da identidade do conjunto. Todo o massacre crítico sofrido em “Tudo ao Mesmo Tempo Agora”, foi retribuído com um disco ainda mais agressivo. A estratégia usada para a produção e boa mixagem, foi a “importação” de Jack Endino, conhecido membro atuante da cena de Seattle e produtor minimalista da estréia do Nirvana, Bleach. Assim, nascia “Titanomaquia”, gravado em 1993. As primeiras cópias deste disco vieram em sacos plásticos pretos, com a abertura colada, através de adesivos, com o nome do disco impresso neles. Isso causou certa estranheza nos consumidores, que não sabiam muito bem o que vinha pela frente. O disco já abre com “Será que é disso que eu necessito?”, uma bela resposta aos críticos. “Nem sempre se pode ser Deus” mantêm a mesma idéia do começo, depois vem “Disneylândia”, onde não há refrão, provavelmente inspirada em alguma música da banda Mercenárias. Em “Hereditáro”, temos Nando Reis totalmente deslocado por aqui, inclusive é a sua única música cantada. “Estados alterados da mente” fala por si só. Sérgio Britto arregaça em “Agonizando”, uma das mais fodas do disco, “De olhos fechados” é pegada, com pouca letra. “Fazer o que” tem uma lado mais heavy, e a “Verdadeira Mary Poppins” é um quase um hino á loucura. “Tempo pra gastar” questiona o quanto tempo temos disponível para fazer o necessário, ou desperdiçá-lo. “Dissertação do papa sobre o crime seguida de orgia”, tem letra complexa e arranjos legais. O disco acaba com a foda “Taxidermia”, que teve até clipe rodado na MTV. Com certeza, é um dos maiores discos da história do rock nacional, genuinamente pesado e audacioso. Já em férias da turnê, os integrantes resolvem investir em projetos paralelos. Toni Belloto lança o livro "Bellini e a Esfinge", Nando Reis grava o razoável disco "12 de Janeiro", Paulo Miklos também lança um trabalho solo mediano, Charles Gavin trabalha com novas bandas e junto com Nando Reis produz o álbum da cantora Vange Leonel. Branco Mello e Sérgio Brito montam o Kleiderman, um projeto de punk rock básico. Mas, é junto com a WEA, que fazem uma das maiores contribuições para a cena daquele período, o selo Banguela Records, que revelou várias bandas em início de carreira ou desconhecidas, entre elas, Raimundos, Mundo Livre S/A, Maskavo Roots , !Pravda etc. Em 1995 a banda encerra as férias e grava o álbum "Domingo". Também produzido por Jack Endino. A sonoridade veio mais pop do que nos dois trabalhos anteriores, mas, ainda possuía bons momentos, como na faixa-título "Eu Não Agüento", da Banda Tiroteio, primeira canção gravada pelos Titãs que não foi composta por um dos músicos do grupo. A canção “Domingo” também soava agradável, com sua ironia típica. Outros momentos bons são: “Um copo de Pinga”, “O caroço da cabeça” e “Brasileiro”, crítica bem humorada ao nosso estilo de ser. Contou ainda com participações especiais de Herbert Vianna, João Barone, Andreas Kisser e Igor Cavalera. "Domingo" foi disco de ouro e encerrava para sempre toda uma fase de fúria e criatividade dos Titãs. Na comemoração dos 15 anos de carreira, lançam "Acústico MTV", gravado em 1997, que vendeu mais de 1,7 milhão de cópias, algo totalmente impensado para um grupo como eles. Infelizmente, depois disso, toda a coragem e atitude titânica foi para o lixo, pois virou a marca registrada deles, gravarem acústicos ruins e baladinhas mela-cueca, tudo isso voltado para o seu próprio bem financeiro. Azar o nosso, que perdemos mais uma banda para o sistema, e sorte das gravadoras que faturaram alto com a falta de atitude e qualidade desse pessoal. Uma pena.

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